segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Cão

 *

Naquela noite enroscado junto à lareira.
Vi a forma como trocam mimos e palavras.
Não as entendo, não as quero entender
Sempre compreendi apenas o que queria
É a minha forma de liberdade
É do meu modo de vida

Naquela noite enroscado junto à lareira.
Farejei o ar em busca de sorrisos
Cheguei-me junto a ti, pedindo-te carinho
Mas não me viste
Desta vez tu não me viste

Parti em fúria
Urinei em toda a casa
Desenterrei os ossos do jardim
Virei a taça da água
E parti....

Hoje vivo virando lata
Como o que sobra para mim
Vagueio molhado
nas ruas da cidade

Tudo seria diferente
Se
Naquela noite junto à lareira
Tivesses olhado para mim

Com amor

Cão


* Imagem: Ronaldo Almeida

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Maço (a importância das coisas nenhumas)


Fosse eu gente famosa, daqueles que coabitam com as luzes ligadas às bocas que mandam, e o texto seguinte seria segundo a "critica cor de rosa", uma filha da putice publicitária, desmedida e com mau gosto....

Maço

Gosto de ti quando és novo
Quando estás por estrear
Quando ainda tens o que abrir
Quando ainda te posso rasgar
Quando há plástico para arrancar

Gosto

De te meter na boca
De te sentir entre os dentes 
De te provar o cartão
De te amarfanhar as pontas

Gosto

De te arrancar uma orelha
De te roubar um "filho"
Torna-lo mais pensativo
Ainda mais introspectivo
Fazer dele um objeto

Gosto

De te ver cheio
De te ver a meio
De te sentir no fim

Agarrar-te por inteiro
Machucar-te e deitar-te fora
No final és lixo, apenas lixo......

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

With love......(tal como no final da carta)

Falas tanto do amor, libertas aos ventos os memoriais dos dias felizes, falas de encontros do sorriso, da forma estranha do bater do coração.....

Contas tantas vezes as histórias da historia desse amor, agarras a historia como não sendo passado, como não sendo apenas cinzas de um passado risonho.... (de um passado, passado)

Mas se trazes contigo a saga das histórias de tua própria história.....

Porque não consegues escrever sobre ela?

O final da história não é o final do livro....

.... é apenas o começo......

... do resto da história de tua vida....


Em cada sorriso, se esconde um segredo.




AMO-TE (daquela maneira que só tu sabes...)

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Tempo do tempo, do tempo que nos resta.


Precisas de amar
Mas tudo o que entregas é corpo 
Falas da alma
E vives sem ela  
Queres
Mas não corres atrás
Aprendes a rir 
Ainda querendo chorar 
Tentas preencher 
Quando o copo está vazio 
Não podes 

MAS VAIS 
Queres esquecer 
Mas tudo o que resta é lembrar


A vida é um contra-senso cíclico, inversamente proporcional ao bater dos ponteiros, porque o tempo não pára, porque o tempo não dorme, porque o tempo não morre........

É o tempo do tempo, do tempo que nos resta. 

 Pensar é nosso escudo, agir a nossa arma!   

 (A simplicidade é arma letal em mundo complexo) 


Love u all

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Definição clara da gramática mental


        Definição clara da gramática mental
Fecha-lhe a porta na tromba antes que ela te agarre te aperte e te mate.
Não esperes pelo fim da historia para leres o final do livro em buscas tremendas de ódio.
As brumas quentes de inverno em escarpas perfeitas, consolo de colo-mãe em sol de inverno, inverno que se abate pelas ruas despidas de dores males maiores ou outras lutas de ventos-inferno.
profundos os esbatidos  tons de cinza, matéria morta letras por escrever em chão de seda das gargantas
 curvadas em dor ofegante
 curvadas em dor ofegante
curvadas em dor ofegante
curvadas em dor ofegante.
Saliências rasgantes em narizes-palhaço-empinado em tons de grande fama, suor pertinente na chama da chama que chama os dias esquecidos, memórias de assunto concreto. 
A plena fama de que falo em palavras duramente claras, expressões abreviadas nas notas impressas da musica. 
Caminhas sobres as brasas de meu corpo ferido, anelante em apertos que afogam noites intensas em claros rasgos de prisão contiguamente crónica ( Que se toca por um lado crónico), suspensa em corda de escaras impregnado em cheiro putrefacto.

Venham de lá os abutres, que a carne espera podre no chão.

Que venham de lá os abutres

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Coiso......





Na vida, tal como nos blogues...... Ou nos blogues tal como na vida..... Nos Blogues não, na escrita... Sim na escrita está melhor.... Na vida tal como na escrita.... Ou será na escrita, tal como na vida... Será a escrita um reflexo da vida ou a vida um reflexo da escrita? ..... Não um reflexo não pode ser porque um poeta é mentiroso, exagerado e sonhador, ladrão de palavras doces..... A não ser que vivas a tua vida tal como as letras do poeta, soltas e dispersas no tempo.....

Há mesmo dias em que não nos ocorre merda nenhuma.....

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A poesia é uma sopa de letras....

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Sra. Aí e Sra. Uí (é a crise....)


 (Medicação anti-crise, ver duas a três vezes por dia!)

As if.....

Iniciar um texto com uma expressão em inglês, com uma frase conhecida ou qualquer outra calinada fica sempre bem... (ou é algo já empiricamente ligado ao nosso pensamento positivo e de aceitação.)

A nossa vontade diária de afirmação  mental e social ,  tem vindo a causar uma mutação  psicológica  e de mentalidade racional em cada um de nós. ( Quando supostamente seriamos um ser individual e com características únicas).

Sinto a sociedade de hoje como uma sopa de espargos, entrelaçada e amontoada numa panela de ferro ao lume (tipo sopa de letras mas com espargos).

Aos problemas diários respondemos normalmente em um só voz e reacção. O problema global da crise é em grande parte uma prova assustadora disso mesmo. Veja-se por exemplo a resposta do nosso povo (que quer queiras ou não somos todos nós!) fadista, a este contratempo. Estamos em crise, facto adquirido, mesmo que a nossa conta pessoal transborde saúde (ou as entranhas situadas entre o colchão e o estrado), estamos em crise e ponto final. Logo, à que colocar as orelhas de burro cansado e triste, respirar profundamente e largar aos sete ventos o quão deprimente e assustadora é a nossa passagem pela crise.....

Veja-se por exemplo o dialogo seguinte (entre a senhora Aí e a Senhora Uí) que não foi retirado de nenhuma praça portuguesa, mas podia muito bem ter sido:

-Ai, Maria que esta crise me mata!

-Ui, e eu que estou falida....

-Aí, ainda por cima o Manel que está tão mal!!! 

-Uí, e o meu que tem uma ursa no estogamo e afarta-se de esgomitar!

-Aí, o meu ainda está pior, vê lá tu que tem um câncer na aposta!

-Uí, e os bicos de papagaio....

-Aí, a couve está tão cara!

-Uí, e os transgénicos que fazem crescer as couves e matam os caracóis de cansaço! 

-Ai, valha-nos Deus que nos ajuda tanto (mesmo sem nos pagar o iva e as retenções na fonte!)

-Uí, e o Saramago que não sabe o que diz e só escreve merda!

-Aí, é verdade sim senhoras, esse grande F#$%$% da P$%$% que o p#"#$!

-Uí, blasfémias!

-Ai, ...... É a crise é a crise........

-Uí, ..... Pois é pois é!





 Até me queria despedir..... Mas estou tão deprimido que nem consigo........